Concorrência:
Daniele Madureira, de São Paulo
A filial brasileira da fabricante americana Tecumseh, uma das empresas investigadas pela Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça no caso de formação de cartel no setor de compressores de refrigeração, está imune de sanções por parte da justiça brasileira e americana. Apesar de estar envolvida no esquema, a companhia, com sede em São Carlos (SP), fechou acordo de leniência com a SDE, semelhante ao negociado pela matriz com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, onde a investigação teve início.
O acordo determina que não seja instalado processo criminal, desde que a Tecumseh coopere com as investigações. "A imunidade condicional concedida pela SDE nos protege contra multas, penalidades e sanções que possam resultar em ações legais", diz uma fonte do alto escalão da empresa.
Segundo a fonte, a denúncia foi feita "por questões de governança", e não motivada por uma suposta briga de poder dentro da Tecumseh, envolvendo o principal executivo, Edwin Buker, e a família Harrick, fundadora. Há menos de um mês, um novo conselho de administração foi eleito, do qual membros da família participam.
No Brasil, também estão sendo investigadas as fabricantes ACC, a Panasonic, a Danfoss e a Elgin. A Panasonic afirma que apenas a matriz, no Japão, poderia se pronunciar sobre o caso. Até o fechamento desta edição, nenhum representante da Danfoss ou da Elgin foi encontrado para comentar o episódio. O cartel teria sido organizado para atingir as metas de vendas de compressores em vários países, entre eles o Brasil.
A Whirlpool, dona no mercado brasileiro das marcas Brastemp e Consul, e da fabricante de compressores Embraco, também estava envolvida, mas assinou na quarta um acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), no valor de R$ 100 milhões, para sair temporariamente do rol das acusadas. (Colaborou Juliano Basile, de Brasília)