Valor Online
SÃO PAULO - A fusão entre o Pão de Açúcar e a Casas Bahia não deverá gerar aumento dos preços de bens duráveis, mas também não vai provocar uma redução nos preços ao consumidor final, como prometeu hoje Abílio Diniz, o presidente do conselho de Administração do Grupo Pão de Açúcar.
A opinião é do presidente do conselho do Programa de Administração de Varejo (Provar/FIA) Cláudio Felisoni. "Para o consumidor o resultado é neutro. Eu não acredito que os preços vão cair. A operação vai gerar ganhos de escala, mas eles serão transferidos para as margens operacionais", afirmou o especialista.
Segundo Felisoni, o aumento dos preços, que poderia ser uma consequência da maior concentração no mercado, também é uma situação improvável. Para ele, o mercado de bens como geladeiras e televisores é "commoditizado". Desta forma, a facilidade na comparação dos preços dos produtos traria prejuízos em termos de volume de venda para as empresas que elevassem os preços.
Com isso, o especialista analisa que não há muitos argumentos relativos à estrutura de mercado para que o Conselho de Administração de Defesa Econômica (Cade) rejeite a operação.
Para uma fonte próxima às questões jurídicas das negociações entre as varejistas, o órgão regulador deve aprovar a fusão, já que a não diferenciação dos produtos no segmento e a concorrência via preço final serão determinantes nesta decisão.
"Este é um mercado em que o preço final dita o rumo das coisas. Existem 20 mil lojas de varejo no Brasil. A nova empresa representará menos de mil lojas. Logo, isso terá um efeito limitado do ponto de vista concorrencial", afirmou a fonte.
Pela manhã, na ocasião do anúncio da fusão entre as empresas, Abílio Diniz afirmou que, "com a operação, o preço ao consumidor final vai chegar mais baixo", devido à maior eficiência da empresa resultante.